Quero ser bolsista pelo Ciência sem Fronteiras, o que fazer?!

Se você pretende tentar uma bolsa pelo programa Ciência sem Fronteiras (CsF), vou listar algumas dicas valiosas que me ajudaram muito nesse processo e que poderão ajudá-lo também. Inclusive, coisas que fogem muito do edital e que poderiam até fazer você desistir mas, garanto que nem tudo está perdido! Pra saber mais sobre o programa, veja no site os detalhes.

A princípio, os editais abriram somente pra algumas áreas de interesse, entretanto este é um projeto que se extenderá pelo menos até 2014 (se Dona Dilma e os próximos presidentes também deixarem ahaha) e possivelmente será ampliado para outras áreas. Além disso, é um programa que com certeza abriu e ainda abrirá muitas outras oportunidades de mobilidades internacionais, até mesmo através de programas dentro da sua universidade, é só ficar de olho. Muitas vezes não tem muita divulgação e você quem deve correr atrás dos detalhes… A UFMT por exemplo, já dispõe de algumas opções, entretanto nenhuma delas ainda soa tão atraente como o CsF que paga boa parte das despesas.

Bom, vou mencionar tudo dentro do primeiro edital do programa, que é aquele no qual estou inserida. Agora surgiram outros editais com outras regras, porém, várias dicas ainda poderão ser úteis. Dentre os pré-requisitos para conseguir a bolsa, seja graduação sanduíche ou pós-graduação, alguns principais eram:

1. Ter certificado de proficiência no idioma de destino que você quer ir, e a nota mínima varia de acordo com cada idioma.

2. Possuir um coeficiente de rendimento de pelo menos 7.

3. Estar inserido em algum projeto de pesquisa, ser bolsista de iniciação científica, extensão, PET…

4. Ter cursado pelo menos 20% e no máximo 80% da graduação/pós…

5. Claro, nunca ter reprovado.

6. Você deve entrar em contato com a universidade que deseja ir e VOCÊ deve negociar praticamente tudo com eles, se tiver um orientador pra ajudar/indicar, sorte sua!

Para os itens 1 e 2, a solução é basicamente a mesma (abaixo). O restante depende muito mais de você mesmo, da sua “história” na universidade.

No caso do certificado de proficiência, eu mesma já não encaixava neste pré-requisito e ainda assim consegui. O edital, assim como a maioria dos outros publicados, pede uma nota mínima do inglês de uns 540 no TOEFL. Eu tenho o certificado de Cambridge, no nível do FCE e com nota C (aqui tem uma tabela comparativa das notas). Sim, vergonhosamente tirei a nota mínima para conseguir o certificado ahahaha, anyway, agora não importa, deu certo do mesmo jeito… Se você não tem a nota suficiente, se ela pelo menos se aproxima do mínimo OU se você tem uma boa noção de inglês, consegue escrever bem (de repente fez um intercâmbio, sei lá…) mas não tem o certificado, você TEM SIM chances de conseguir! Além disso, se você também se comprometer a realizar o teste de proficiência em tempo hábil e garantir que conseguirá a nota, também é uma chance… Um tanto quanto arriscada eu acredito, considerando que não são provas nem um pouco fáceis. De qualquer forma, conseguindo a carta de aceite, pode apostar que tudo isso não será problema.

O item 6 é o principal. Como eu disse, tudo que você precisará é da autorização da universidade que você deseja ir, ou, a famosa carta de aceite da universidade. Porém, essa carta você só conseguirá com MUITO esforço, paciência e determinação. Quando eu vi que me encaixava na maioria dos pré-requisitos, exceto essa parte do inglês, pensei muito, quase desisti sem tentar, mas graças ao estímulo do meu namorado, família, amigos (obrigada gente!! :D), resolvi PELO MENOS tentar.

A primeira coisa a se fazer é pesquisar por todas as universidades possíveis que se encaixam no idioma que você souber. Entre no site das instituições, explore-os ao máximo. De preferência, já tenha mentalizado ou anotado um plano de estudos, você precisará encaixar algumas disciplinas com as mesmas do seu curso no Brasil, ou estágio/pesquisa. Quando tiver isso, ao explorar os sites das universidades no exterior, dê enfoque para a webpage do seu curso, procure o contato de professores ou de algum departamento que lide somente com questões internacionais e, acredito que esta seja a melhor opção. Outros sites disponibilizam o contato direto de algum setor internacional, entretanto estes poderão ser úteis somente lááá na frente quando você já tiver com a carta de aceite em mãos. Lembrando que esta carta, na maioria das vezes é disponibilizada pelo diretor/professor da faculdade e não pela universidade como um todo, então muitas vezes esse departamento só te encaminhará para entrar em contato com o diretor ou algum professor do seu curso/faculdade.

Depois que você estiver com os contatos listados (eu mandei pra umas 15 universidades), é hora de preparar um e-mail, um BOM e-mail! Ele garantirá uma resposta favorável a você, ou um não ou simplesmente um ignorar.

O e-mail bem elaborado geralmente segue alguns padrões:

- Identificar-se (óbvio) com nome E sobrenome, acrescente a idade, instituição que você estuda, curso, qual ano/semestre está, se é bolsista de pesquisa… Enfim, paragrafe um pouco sobre você, seu perfil, pra eles te conhecerem melhor.

- Explique sobre o programa, várias universidades não sabem a respeito dele, inclua o link direto do CsF e/ou anexe um edital no e-mail

- Mencione as disciplinas que você gostaria de cursar, se poderá fazer estágio ou pesquisa. Se quiser adiantar, traduza livremente o seu histórico escolar e já anexe no e-mail para agilizar a análise da faculdade em aceitar você, e ver compatibilidade de disciplinas.

- Demonstre o seu interesse desde o começo, explique brevemente seu objetivo ao estudar numa insituição no exterior (ampliar horizontes, conhecimento, incorporar, enfim…)

- Seja formal, evite expressões verbais, abreviações, use todos os acentos, escreva da forma mais correta possível!

Depois que estiver com o e-mail pronto, é só ir enviando para as universidades e torcer para responderem rápido e de uma forma favorável!!

Daí pra conseguir a carta, poderá ser um longo processo, trocando e-mails, tirando dúvidas, até “fechar” seu plano de estudos. Esse trajeto varia muito em cada instituição. Outras são mais exigentes e podem pedir vários documentos, dentre eles: seu curriculum e do seu orientador ou até mesmo uma redação com os seus objetivos acadêmicos.

Fique de olho também no fuso horário do outro país pois, muitas vezes você poderá receber e-mails à noite ou de madrugada e não espere para responder!

Algumas universidades também poderão exigir que você faça um pré-registro para avaliar seu caso e poderá custar alguns dólares/euros… prepare o bolso pra isso, se for o caso.

Sobre a UCLA:

A UCLA não exige pagamento algum antes da confirmação de tudo, entretanto, após conseguir a carta de aceite, você articulará com diferentes setores que exigirão diferentes taxas com diferentes formas de pagamento, além de diferentes documentos. As taxas escolares (tuition/fees) variam DEMAAAAIS, não dá mencionar um padrão. Na UCLA, cada disciplina saiu por cerca de USD 1,000, com o restante das taxas escolares, sem moradia/alimentação, ficou cerca de USD 14,000 por dois trimestres. Lá eles não aceitam alunos internacionais da graduação morando dentro do campus, então você deverá se virar pra procurar isso, tem muitas opções pertinho da universidade e provavelmente alguém da UCLA enviará a você a lista com os melhores locais custo/benefício.

Além disso, atente-se para o tipo de visto que deverá retirar, as universidades variam nisso também! A UCLA, para estudantes da graduação, aceita somente o F-1.

É isso! Lembrando de alguma outra coisa, acrescento aqui. Boa sorte!

Dicas para emissão de visto para os EUA – Parte I

Olá! Este post é dedicado àqueles pobres estudantes que precisam tirar o visto F-1 ou J-1 para fazer um intercâmbio de estudos nos Estados Unidos da América e – assim como eu – também ficam desesperados para conseguir o maior número de informações possíveis sobre todo esse – diga-se de passagem, longo – processo de obtenção do visto.

Para certas coisas é melhor não ter nenhuma surpresa e nesse caso, acho que conhecer o passo-a-passo da “coisa” toda ajuda muito. Inclusive eu agradeço a minha amiga Mariana Tanaka e os colegas do grupo CsF no Facebook que me ajudaram fornecendo informações valiosas que nenhum site explica.

Na verdade, a sequência de procedimentos que acontecem na Embaixada Americana é a mesma para todos, então, as dicas servirão um pouco também para qualquer outro tirando um visto para os States (parte II).

Além disso, resolvi criar esse blog para registrar minha (futura) experiência como estudante na School of Nursing da University of California – Los Angeles (UCLA), como bolsista do CNPq através do programa Ciência sem Fronteiras (CsF).

Pra começar, vamos para a lista de documentos necessários para levar no dia da entrevista na Embaixada:

Antes você irá agendar a entrevista, é claro. Lembre-se: você paga R$ 38,00 para agendar, só pode ser remarcada com no máximo 2 dias antes da data da entrevista, se for cancelar, não precisa fazer nada, é só não ir, não é reembolsável. E a cada remarcação você paga outra taxa de 38 reais. Se quiser também, dá na mesma deixar passar o dia, não ir e depois marcar uma nova. Eu recomendo que você só agende a entrevista quando tiver certeza de todos os documentos necessários, para vários formulários você dependerá da escola/faculdade fornecer pra você, então, é melhor não contar muito com a sorte nisso. Inclusive, o tempo de espera tem sido bem reduzido, cerca de 2-3 dias, isso não será um problema. No meu caso, eu só marquei a entrevista depois que já estava com TODOS os documentos garantidos, taxas pagas etc. Essa é a página de agendamento: http://www.visto-eua.com.br/agendamento-web/index.jsp?locale=pt_BR

1. Passaporte:

Pra quem ainda não tem/não sabe como fazer, você deve agendar uma entrevista na Polícia Federal através deste site http://www.dpf.gov.br/servicos/passaporte/. O tempo de espera varia, pode ser 10, 15, 20 dias… depende da cidade. Os bolsistas do CsF conseguiram prioridade (uui) nisso e eu só esperei 1 semana. Você deve chegar no dia com o comprovante da GRU (cerca de R$ 150-160), munido dos documentos listados no site. Lá na PF, você deve aguardar ser chamado, vão conferir seus documentos, tirar uma foto sua na hora (girls, vão preparadas rs!) e registrar as digitais, é relativamente rápido, se não tiver muita gente na sua frente. Depois é só aguardar no máximo 6 dias úteis e retornar para buscá-lo todo feliz da vida… ÊÊÊÊÊ! Mas antes, saiba que essa é uma das partes mais fáceis, o pior ainda está por vir.

2. Foto 5×5 ou 5×7:

Essa é moleza, aqui onde moro eu paguei R$ 10,00 por 5 unidades. De preferência, pegue as fotos impressas (deve levar 1 no dia da entrevista) E uma versão digital dela, você vai usar para completar o formulário DS-160. Lembrando que a foto tem uma série de exigências (fundo branco, orelhas à mostra…), caso você queira tirar com uma câmera própria e saber exatamente as regras, aqui tem bem explicado: http://portuguese.brazil.usembassy.gov/pt/setup.html

3. Comprovante do pagamento da taxa de solicitação de visto no valor de USD 140,00:

O site da Embaixada é um bocado confuso nesse sentido e algumas pessoas já me perguntaram sobre isso. Sim, os vistos F e J são isentos de taxa de visto, porém todos os vistos tem taxa de solicitação de visto. Entendeu? Não? Pois é, é assim que eles catam sua grana, aos poucos… vai vendo, vai vendo…

A questão é que essa taxa é paga exclusivamente nas agências bancárias autorizadas do Citibank, o qual não tem em diversas cidades brasileiras (aqui em Cuiabá, por exemplo). Aqui você encontra os endereços das agências http://portuguese.brazil.usembassy.gov/pt/citibank.html. Para aqueles perdidos como eu, restam duas opções: pedir à alguém de confiança que mora em algumas das cidades que têm agência para pagar OU deixar para pagar no dia da entrevista. Essa segunda opção eu não recomendo MESMO, primeiro porque terá fila e, acredite, você já vai estar exausto de tantas filas a enfrentar na Embaixada; segundo porque é bem arriscado, essa taxa deve ser paga em reais e segue a cotação do dólar no dia, então, pode variar bastante. Agora se tá com grana sobrando e paciência demais, no problem, vai lá e paga no dia mesmo!

Eu escolhi a primeira opção (uma fila a menos e tempo a mais no dia da entrevista, uhul!), se você fizer assim, deverá enviar à pessoa que vai pagar pra você as cópias do seu RG/CPF ou CNH + cópia do Passaporte, essa pessoa irá até a agência, explicará que precisa pagar uma taxa de solicitação de visto TAL (F, J…) em nome de FULANO (você). Na época, a minha ficou em R$ 266,00 e a minha tia querida que mora em Curitiba fez a gentileza de pagar pra mim.

Não se esqueça de pedir pra pessoa enviar imediatamente o comprovante pra você pelos correios, não serve cópia, tem que ser original. Fique atento aos seus prazos, se for necessário, pague o SEDEX!

4. Página de confirmação do formulário DS-160 preenchido completamente (imprima com boa qualidade pra visualizar e ler bem o código de barras):

Bom, tá começando a dificultar. Esse formulário, disponível aqui https://ceac.state.gov/genniv/, para aqueles que vão tirar o visto F ou J, só será completamente preenchido depois que você tiver outro formulário: o DS-2019 (referente ao visto J) OU o I-20 (referente ao visto J); além de também ter preenchido e pago a taxa de outro pequeno formulário chamado SEVIS I-901. Já já eu explico…

Pra adiantar, sugiro fazer o seguinte: preencha o formulário DS-160 até o máximo de informações que conseguir (porque ele é extenso, cansativo e chato, reserve um tempo concentrado para preenchê-lo) e depois salve o arquivo no computador (ele dá essa opção, também pode ser salvo somente online, porém essa versão só fica disponível por 30 dias, salva logo no PC que é mais seguro). Não se preocupe, parece estranho, mas o arquivo salvo é nesse formato .dat mesmo.

Alguns detalhes: o formulário é todo em inglês, peça ajuda a alguém se necessário; se for imprimir, já deixe tudo arrumado e testado para isso, não tem como voltar depois pra fazer essa impressão. A não ser que você entre de novo no formulário, reenvie vários dados… enfim, vai dar mais trabalho.

Você também já pode adiantar o upload da foto (acima as regras).

5. Formulário DS-2019 OU I-20 devidamente assinado pela escola/universidade, com os seus dados corretos e sua assinatura também.

Esse formulário, no meu caso foi o I-20, é o principal. Ele deve ser fornecido pela escola ou universidade que você irá estudar nos EUA. Se você digitar no Google, encontrará diversos modelos de como ele deve ser. A instituição só lhe enviará esse formulário depois que estiver TUDO acertado entre vocês: plano de estudos, pagamentos (tuition/fees), quanto tempo irá ficar… Ela pode enviar diretamente pelos correios (geralmente ela irá cobrar por isso, paguei USD 40 pra UCLA) e você morrer de ansiedade enquanto espera OU ela pode ser legal (a UCLA foi, mas só porque eu fui muito chata insistindo aahahahaha) e adiantar pra você uma cópia por e-mail (LEMBRANDO: ASSINADA!!!! Senão não vale nada).

Com esse formulário em mãos, você conseguirá preencher o SEVIS I-901 e pagá-lo (explico embaixo) e finalizar o preenchimento do DS-160. Isso é tudo rapidinho, questão de 1 dia você faz! O que demora é chegar esse I-20/DS-2019…

Para aqueles que vão levar a versão enviada por e-mail, geralmente em PDF, imprima na melhor qualidade possível e colorida. A Embaixada fala que tem que ser o papel original mas, eu levei essa versão impressa, não falei nada e eles também não, aceitaram e pronto – é um risco com poucas chances de dar errado, ainda não vi ninguém que não conseguiu porque era “cópia”. O papel enviado pelos correios não tem nada demais, deu na mesma. ATENÇÃO: Guarde esse formulário com MUITO carinho, juntamente com o passaporte, ele deve andar sempre com você, inclusive quando chegar nos EUA!!

6. Página de confirmação do SEVIS I-901 e o seu pagamento comprovado:

Geralmente essa informação toda consta numa folha impressa. Custa USD 200,00 e eu paguei no cartão de crédito, se não me engano, também serve pelo Western Union. Garanto que dá praticamente na mesma, considerando o IOF bancário de 6, tantos % (caríssimo >.<). Como disse acima, com ele você finalmente termina de preencher o DS-160, CONFIRA BEM TODOS OS DADOS, imprime-o e fica tudo beleza!

7. Carta de benefícios do CNPq ou de qualquer outro órgão que vai “bancar” sua estadia/taxas lá nos States.

Se você não for bolsista, deve levar todos os documentos possíveis de comprovação de renda. Extratos bancários seus, pais, provedores; Declaração de IR; Escritura da casa… Enfim, tudo para garantir que você não vai passar fome lá.

Pra quem é do CNPq, houve casos e casos. Quando eu fiz a entrevista, ao perguntarem-me sobre quem ia me “bancar”, eu informei que era bolsista pelo CsF e pronto. Eles nem pediram pra ver a carta, não pediram mais nada. Teve gente que me contou que precisou da carta sim, então, na dúvida LEVE-A.

Alias, na dúvida, leve todos os seus comprovantes/documentos que possam auxiliar nesse processo. Eu levei tudo, carta de aceite da universidade, e-mails que troquei com eles, enfim… Melhor prevenir. Na dúvida também, leia e releia as orientações disponíveis no site da Embaixada pra não perder nenhum detalhe.

É isso. Agora é só aguardar o tão esperado dia da entrevista, lembrando sempre de conferir os documentos antes de ir (eu conferi umas 30 vezes).

Ah é! Tem empresas que te ajudam nesse processo todo, elas cobram não faço ideia quanto mas, se tiver condições, pode ser uma grande ajuda pra aquela sensação de insegurança que a gente fica se faz tudo sozinho.

No próximo post, explico um pouco alguns detalhes do dia da entrevista.

Outros links úteis:

Embaixada Americana – http://portuguese.brazil.usembassy.gov/

Sobre o SEVIS – https://www.fmjfee.com/i901fee/index.jsp